No dia 30/06/09, nossa Casa comemorou seus 102 anos de fundação.
Para comemorar este momento tão especial para nós, convidamos a amiga desta Casa e presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, Gladys Pedersen de Oliveira, que, com muito carinho e emoção, conduziu as duas palestras alusivas a nossa data magna. Pela tarde, ela nos conduziu com sua firme oratória, ao mundo infantil, apresentando-nos a arte de contar histórias, através do Projeto "Conte Mais" da Federativa Gaúcha.
À noite, nos emocionou, lembrando fatos históricos que ligam a história de nossa Casa com a história da Evangelização Espírita Infanto-Juvenil no Brasil e no Mundo, lançando, em primeira mão em solo fluminense, o livro de sua autoria "A Missão e os Missionários", onde conta, também, a trajetória de Cecília Rocha, vice-presidente da FEB e sua tarefa junto as mentes infantis.
Foi um momento muito especial para nós e para Gladys, enviamos os nossos melhores votos de gratidão e carinho.
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A história que você irá ler é diferente daquelas que falam de comemoração de centenário de instituição espírita.
Em 2006, aos noventa e nove anos de operosa existência, a Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro (FEERJ), criada em 30 de junho de 1907, renunciou à função federativa em favor de um único e novo representante. Assim o fez em cumprimento ao compromisso assumido perante o plenário do Conselho Federativo Nacional (CFN), da Federação Espírita Brasileira, na reunião de novembro de 2000.Nesse encontro, a FEERJ apresentou ao Brasil espírita ali reunido seu projeto de Unificação do Movimento Espírita fluminense, congregando a FEERJ e a co-irmã União das Sociedades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro (USEERJ), por esta chancelado.
O amor à unificação falou mais alto e foi determinante quando se fez necessária a renúncia da FEERJ.
Foto: Fachada do prédio da FEERJ
Nesse encontro,ocorrido na FEB, foi registrada a presença do Espírito Dr.Guilherme Taylor March, médico homeopata, o que denota o interesse dos Espíritos superiores pela unificação.
Com a unificação, o centenário da FEERJ, como Federativa, não se consumou.
Hoje, o Instituto Espírita Bezerra de Menezes (IEBM), sucessor da FEERJ, sediado em Niterói, recebe semanalmente mais de mil pessoas nas seis reuniões doutrinárias; os grupos de ESDE funcionam em diversos horários e a obra assistencial Instituto Dr. March prossegue dedicada à infância desvalida, agora como creche, em parceria com a Prefeitura da cidade.
Voltando no tempo, percebemos que foi profícuo o trabalho desenvolvido pela FEERJ nesses 99 anos como Federativa. Foi ela a iniciadora, na década de 70, do século passado, dos cursos de formação de evangelizadores para a infância e a mocidade, em várias cidades fluminenses, sob a responsabilidade de Luzia Peres – esposa do operante Floriano Moinho Peres –, em companhia de Cecília Rocha, hoje vice-presidente da FEB.
No início do último século, quando a intolerância religiosa era crescente, a FEERJ manteve as portas abertas, com reuniões de estudo e de assistência espiritual àqueles que não encontravam alívio para o sofrimento e respostas às dúvidas nas religiões tradicionais.

Foto: Inauguração da Rua Esperanto, durante o XV Congresso Brasileiro
de Esperanto, realizado em 1957 na cidade de Niterói
Na Sessão Solene de julho de 1922, na FEERJ, Vianna de Carvalho, homenageando o Dr. March, desencarnado no mês anterior, propôs a criação de uma Casa Assistencial para crianças com o nome do Dr.March, o “Anjo de Guarda de Niterói”, designação dada pelo povo em razão do receituário homeopático gratuito.
No Instituto Espírita Bezerra de Menezes, sucessor da FEERJ, encontra-se depositada uma carta de Francisco Cândido Xavier, doando à FEERJ os direitos autorais da sua obra psicográfica Cartas de uma morta. A dádiva é a resposta aos diretores da Instituição que o procuraram, na década de 30, em busca de orientação para a manutenção de uma Casa Assistencial – hoje Instituto Dr. March.
Foi na sede da FEERJ que funcionou durante décadas a representação do Movimento Esperantista mais antigo do Brasil, o Clube de Esperanto de Niterói, fundado em 1906.
É justo destacar um interessante detalhe: na sede da então FEERJ surgiram vários grupos espíritas.
Podemos mesmo afirmar que os maiores centros espíritas de Niterói tiveram na FEERJ o seu ponto de partida.
Os grandes eventos do Movimento Espírita fluminense foram realizados na histórica sede do Centro de Niterói, ou sob o seu patrocínio.
Não podemos esquecer que a primeira Confraternização dos Jovens Espíritas do Estado do Rio de Janeiro (COMEERJ) ocorreu na FEERJ, no início da década de 70, do século passado.
A renúncia da FEERJ à sua função Federativa, assim como ocorreu com a USEERJ, foi a grande contribuição e expressão de amor à Unificação do Movimento Espírita no Estado do Rio de Janeiro.
Constitui uma marca indelével que reproduz as palavras de Jesus: “Meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem”. (João, 13:35.)
(*) Artigo publicado na revista Reformador de Agosto-2008
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